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Alinhar o Brasil ao século 21 exige política digital com visão de Estado

  • paulo4508
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura
crédito: Unplash
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 Por deputado Júlio Lopes (PP-RJ)


O Brasil vive um momento decisivo para sua inserção na economia digital global. Mais do que acompanhar tendências tecnológicas, o país precisa decidir qual papel deseja ocupar em um mundo cada vez mais orientado por dados, infraestrutura digital e inovação. Ou assumimos o protagonismo dessa transformação, ou permaneceremos dependentes de tecnologias produzidas fora do país.


A economia digital deixou de ser um tema setorial para se tornar uma questão estratégica de desenvolvimento nacional. Computação em nuvem, inteligência artificial, data centers e redes de alta capacidade são hoje ativos essenciais para a competitividade econômica, a geração de empregos qualificados e a soberania tecnológica. Nesse cenário, decisões públicas fragmentadas ou contraditórias produzem efeitos diretos sobre o futuro do país.


O principal desafio que enfrentamos não é tecnológico, mas político e institucional. Falta coordenação entre decisões tarifárias, regulatórias e de política industrial. Quando essas agendas caminham de forma desarticulada, o resultado é o aumento do custo de investir, insegurança jurídica e perda de atratividade para projetos estratégicos. O Brasil não pode se dar ao luxo de criar barreiras internas justamente no momento em que o mundo acelera a transformação digital.


Vivemos uma corrida global por investimentos em infraestrutura digital. Países que compreenderam essa dinâmica estão adotando políticas claras, previsíveis e alinhadas, criando ambientes favoráveis à instalação de centros de processamento de dados, ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e à atração de capital produtivo. A consequência é simples: quem se organiza, cresce; quem hesita, fica para trás.


É preciso afirmar com clareza que fortalecer a indústria nacional e expandir a infraestrutura digital não são objetivos opostos. Ao contrário, são complementares. Um ambiente digital competitivo estimula a demanda por equipamentos, serviços, energia, telecomunicações e inovação local. Quando o país cria condições para investimentos de alta complexidade tecnológica, toda a cadeia produtiva se beneficia.


O debate público, no entanto, ainda insiste em falsos dilemas. Não se trata de escolher entre proteção ou abertura, mas de construir uma política de Estado baseada em coerência, previsibilidade e visão de longo prazo. Instrumentos da era analógica não respondem aos desafios da economia digital.


Persistir nesse caminho significa exportar processamento, importar tecnologia e aprofundar a dependência externa.


A economia de dados será o principal motor de crescimento nas próximas décadas. Ela atravessa todos os setores — da indústria ao agronegócio, dos serviços à educação, da saúde à segurança pública. Países que estruturarem ambientes favoráveis à inovação digital terão vantagens competitivas duradouras. Aqueles que não o fizerem pagarão o preço da estagnação.


O Brasil tem mercado, escala e capital humano para liderar essa agenda na América Latina. O que falta é alinhar as políticas públicas a uma estratégia clara de desenvolvimento digital.


Precisamos reduzir o custo de investir, acelerar a modernização da infraestrutura, incentivar pesquisa, desenvolvimento e inovação e garantir previsibilidade regulatória.

O momento exige responsabilidade e coordenação institucional. Tarifas, regulação e política industrial devem atuar de forma integrada, orientadas por um projeto nacional de longo prazo. Quando o Estado envia sinais contraditórios, quem perde é o país.


Transformar o Brasil em protagonista da economia digital não é uma escolha ideológica, mas uma decisão estratégica. O século XXI não espera. Cabe a nós garantir que o Brasil esteja preparado para liderar essa transformação — e não apenas reagir a ela.


Deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar Pelo Brasil Competitivo (FPBC)



 
 
 

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