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Setores devem se unir por redução do custo Brasil, pede Gerdau


Por Stella Fontes — De São Paulo


Ex-presidente do conselho de administração do grupo Gerdau, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter convocou ontem os diferentes setores empresariais a se mobilizarem pela redução do custo Brasil. “É um apelo que faço aos empresários industriais”, disse, durante painel sobre o futuro da indústria siderúrgica brasileira na visão dos CEOs, no Congresso Aço Brasil 2022.


Para Gerdau, o país precisa avançar sobretudo na reforma tributária para alavancar a competitividade dos produtos nacionais. O custo Brasil, comentou, representa 16,2% do custo do aço nacional. “Vamos nos mobilizar, com nossos colegas empresários, fornecedores, para que todos tenham consciência do custo Brasil”, disse, acrescentando que a guerra política é complexa e o avanço na reforma exige efetiva mobilização dos setores empresariais.


Reunidos no evento, presidentes das maiores siderúrgicas do país reforçaram a mensagem de que, embora o consumo aparente nacional de aço deva recuar frente a 2021, ainda assim 2022 ficará entre os melhores anos da última década para o setor.


Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a revisão que está sendo feita nas estimativas para o ano certamente trará para baixo a projeção de consumo aparente, mas porque “2021 foi muito forte”. “Todas as simulações de queda, até agora, dizem que ainda assim 2022 fica acima da média anual da última década, o que é bastante representativo”, comentou.


Segundo o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de aços longos e mineração Latam do grupo, Jefferson De Paula, assim como se viu no fim do ano passado, 2022 está sendo volátil e marcado por incertezas. “Ainda assim, estamos conseguindo trabalhar bem”, ponderou, acrescentando que, apesar desse contexto, a Arcelor Brasil vai ter um ano “muito bom”.


O presidente do conselho de administração da Usiminas, Sergio Leite, lembrou que a forte alta do consumo de aço no ano passado foi puxada pela demanda efetivamente maior e também pela recomposição de estoques. “Neste ano, mesmo que venhamos a ter queda de consumo aparente, vamos ter um dos três ou quatro melhores anos da última década”.


Na Gerdau, disse o presidente Gustavo Werneck, a perspectiva é terminar o ano com entregas similares às vistas em 2021. “Vamos fechar um ano muito positivo. Dos setores em quem atuamos, o único que não deve mostrar crescimento mais estruturado é o varejo”, comentou. No varejo, nível de renda e elevado endividamento das famílias devem pesar, explicou.


Em outros setores, o ambiente é mais positivo, destacou: há demanda represada no setor automotivo, a construção civil vive o ápice em termos de canteiros de obra ativos e os setores industrial e de máquinas e equipamentos estão pujantes. “Temos tudo para fechar um ano positivo”, disse.


O executivo citou que, no segmento de veículos pesados, o governo federal deve assinar até 2 de setembro o programa de renovação de frota, o que deve impulsionar a demanda de caminhões.


Para o presidente da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), Marcelo Botelho, 2021 foi muito bom e 2022 vai ser o segundo melhor da história da empresa. Fabricante de semiacabados, a siderúrgica elevou a aposta em aços de alta qualidade e portfólio diversificado nos últimos anos, o que ajuda a mitigar parte dos efeitos da volatilidade e da incerteza econômica em seu desempenho. “A indústria do aço está no caminho certo”, afirmou.


Para alcançar a meta de dobrar o consumo per capita de aço no país, indicou Sergio Leite, é preciso que o PIB avance nos próximos anos, além de investimentos em infraestrutura e na construção civil.


“A melhora do consumo aparente vai decorrer de iniciativas do setor privado, não do governo. Não acredito também em protecionismo”, comentou Botelho, da CSP. Por outro lado, acrescentou, há políticas públicas que podem contribuir para esse avanço e tornar o Brasil uma “potência de primeiro mundo e mais industrializada”.



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